BEATRIZ BATARDA
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Dirige juntamente com Marco Martins o Arena Ensemble desde a sua fundação em 2007. Nascida em Londres em 1974, tem-se dedicado maioritariamente às artes performativas, nas áreas da representação e encenação, com um percurso ímpar e reconhecido. Depois de uma estreia precoce no cinema em 1986, no filme Tempos Difíceis, de João Botelho, estudou Design Gráfico no IADE – Instituto de Arte e Design em Lisboa, sem interromper a sua actividade artística no teatro e cinema. Em 1996, parte para Londres, onde segue a sua formação em teatro na Guildhall School of Music and Drama, e lhe é atribuída a Medalha de Ouro pelo seu desempenho escolar. No Reino Unido, participa em séries de televisão como Forsyte Saga ou Waking the Dead, em longas metragens tais como It’s All Gone Pete Tong ou Night Train to Lisbon, e peças de teatro como The Aristocrats ou Love’s Labour’s Lost.

Das suas participações em cinema destacam-se as colaborações com os realizadores José Álvaro de Morais, João Mário Grilo, Ivo Ferreira, João Canijo, Margarida Cardoso, Marco Martins, Teresa Villaverde, Cristina Pinheiro, Andy Wilson, Thomas Vincent, Erik De Bruyn, Eugène Green, Christine Laurent, Bille August, Stan Douglas e Mike Dowse; no teatro, destaca-se o trabalho com os encenadores Luis Miguel Cintra, Diogo Dória, João Perry, Carlos Pimenta, João Lourenço, Carlos Aladro, Steven Unwin, Edouard Kemp, Joseph Blatchley, Pascal Rambert e a extensa colaboração com Marco Martins.

Foi galardoada com dez prémios e nove nomeações, nacionais e internacionais, para melhor actriz de cinema e de teatro pelas suas interpretações nos filmes Yvone Kane, Costa dos Murmúrios, Noite Escura, Alice, Quaresma e nos espectáculos As Criadas, Ifigénia e Berenice.

Vive em Lisboa desde 2004, onde encena regularmente desde 2007. Curiosa das mecânicas da interpretação e da multidisciplinaridade do storytelling, os seus espectáculos caracterizam-se pela revisitação a questões inerentes ao isolamento, à definição da identidade, à memória e à adaptação imposta por circunstâncias. A sua abordagem a textos clássicos põe à prova a sua relevância e significado no contexto actual, exigindo dos actores agilidade na actualização do jogo entre registos.

Dos seus espectáculos com música original tocada ao vivo destacam-se Suites Mitológicas, baseado na Odisseia de Homero com música de Noiserv e Tiago Cabrita; Bizarra Salada, uma colagem de textos de Karl Valentim com a Orquestra Metropolitana; e Menina do Mar, um conto de Sophia de Mello Breyner Andresen com música e interpretação de Bernardo Sassetti.

Dos espectáculos criados para o Arena Ensemble destacam-se Todo O Mundo É Um Palco (co-encenado com Marco Martins), um espectáculo multilingue que reúne 20 intérpretes, profissionais e não-profissionais de 11 nacionalidades; A Conquista do Pólo Sul, uma peça de realismo mágico baseada na aventura de Roald Amundsen; Azul Longe nas Colinas, uma história de violência infantil; e Olá e Adeusinho, a reconstituição da memória num país devastado.

É também co-fundadora da Casa Bernardo Sassetti, uma associação que pretende divulgar e conservar a obra deste artista.

Dedica-se ainda, em paralelo, ao ensino da Arte da Interpretação em várias escolas.