
Ouve
O que havia lá em baixo era para ficar lá em baixo, não era para trazer para superfície. A vida de mineiro não se transporta cá para fora, é para esquecer quando saímos. Lá em baixo há um calor insuportável, trabalhávamos de calções, um barulho ensurdecedor, pó, uma mistura de escuridão e luzes fortes. As máscaras, para proteger os pulmões do pó, impediam-nos de respirar e por isso raramente as usávamos.
José Pacheco, 62 anos, ex-mineiro do Lousal
Durante muitos anos, o Lousal foi um oásis de sobrevivência para a população do Alentejo e Algarve. Propriedade da família belga Velge (Mines et Industries), que adquiriu a concessão de exploração de 124 hectares por 500 anos, atingiu as 1200 toneladas diárias de extracção. A aldeia, com traços de grande cosmopolitismo, constituía um mundo fechado totalmente controlado pela empresa mineira: igreja, hospital, maternidade, escola, minimercado, campo de jogos. Só se saía do Lousal para fazer o BI e para se ser enterrado.
Raramente encontramos um território onde a memória colectiva permanece tão profundamente inscrita na paisagem como no Lousal, uma aldeia moldada pela exploração da pirite também chamada como “ouro dos tolos”. A mina definiu não apenas o espaço físico, mas também os afectos, as relações humanas e o destino de sucessivas gerações. Um modelo social profundamente hierarquizado, assente na exploração do trabalho e numa lógica economicista em que toda a vida da comunidade gravitava em torno da produção e da riqueza extraída do subsolo.
É neste território suspenso entre ruína, memória e um futuro incerto que nasce A Ilha, percurso performativo concebido por Marco Martins em conjunto com André Cepeda, Gabriel Ferrandini, Henrique Pavão e João Pimenta Gomes. Criado em estreita ligação com os habitantes do Lousal ex-trabalhadores da SAPEC, A Ilha transforma o espaço da mina num lugar de evocação e partilha, numa reflexão sobre aquilo que permanece e aquilo que se transforma: a construção da memória e a transformação da história.
SEXTA-FEIRA, 17 JUL 2026 | 19H | ENSAIO GERAL ABERTO AO PÚBLICO
SÁBADO, 18 JUL 2026 | 19H | ESTREIA
Museu Mineiro do Lousal, Lousal, Grândola
📍Ponto de encontro | BAIRRO DOS QUARTÉIS (RUA DO POLVARINHO, LOUSAL)
ENTRADA LIVRE com lotação limitada [mediante reserva]
reservas.antn@gmail.com | 934 104 976 | 917 494 249
Duração aproximada 130 minutos | M/12
ℹ️ Informações práticas:
A performance inclui um percurso total de aproximadamente 1,5 km, dos quais cerca de 270 metros decorrem numa galeria subterrânea. Participantes com claustrofobia, poderão iniciar o percurso à superfície. Antes da entrada na galeria subterrânea, serão fornecidas todas as indicações de segurança necessárias.
Recomenda-se a utilização de roupa e calçado confortáveis, bem como de um agasalho, dado que a temperatura no interior da galeria poderá ser mais baixa. Atendendo às temperaturas elevadas previstas, aconselha-se que os participantes tragam uma garrafa de água. Recomenda-se ainda a utilização de repelente, uma vez que poderá haver mosquitos.
Acessibilidade: Em caso de mobilidade reduzida, haverá, infelizmente, uma pequena parte do percurso à qual não será possível aceder. No entanto, teremos pessoas no local para prestar apoio e facilitar o acesso à segunda parte do espetáculo.
Beber e comer: Após a estreia, haverá uma pequena ceia no café junto ao museu, onde se reunirão os intérpretes do espetáculo. É possível garantir a participação no beberete por 7€, no momento da reserva do espetáculo. Serão servidos água, sumo, vinho tinto e branco, cerveja e caldo verde (com opção vegan), bem como croquetes, rissóis, pastéis de bacalhau, quiche de legumes, queijos, enchidos e pão. Caso o deseje, poderá trazer a sua própria comida. Informamos que não existem pontos de abastecimento de água para enchimento de garrafas reutilizáveis.
A ILHA integra-se no eixo LA-TITUDES da ANTN, um programa de criações participativas que colocam as comunidades no centro do processo artístico, promovendo o encontro entre artistas e território e contribuindo para a construção de novas memórias coletivas.
Uma criação de MARCO MARTINS
Com ANDRÉ CEPEDA, GABRIEL FERRANDINI, HENRIQUE PAVÃO, JOÃO PIMENTA GOMES
Música ao vivo GABRIEL FERRANDINI
Intérpretes ETELVINA GUERREIRO (VINA), FATINHA VAZ, JOSÉ GUERREIRO, MANUEL JOÃO VAZ e DINIS DUARTE
Intérpretes com máscaras ELOI GUERREIRO, MATEUS GUERREIRO, SIMÃO CORREIA
Investigação e textos de AFONSO CRUZ, JOANA PEREIRA BASTOS e RAQUEL MOLEIRO
Texto baseado nos testemunhos de ALBERTO ROSA PEREIRA, AVELINO ESPADA, EDUARDO SILVA, ETELVINA GUERREIRO (VINA), FATINHA VAZ, GRACINDA DIAS, JOSÉ GUERREIRO, JOSÉ PACHECO, MANUEL JOÃO VAZ, MARIA ANDRADE SOROMENHO
Assistência de encenação e apoio à dramaturgia RITA QUELHAS
Desenho de Luz NUNO MEIRA
Direção Técnica PEDRO MOREIRA
Operação Técnica RUBÉN MATOS
Construção de adereços e figurino DANIELA CARDANTE
Fotografias do ARQUIVO MUNICIPAL DE GRÂNDOLA / Descrição documental da autoria de DANIELA FÉRIAS DE SOUSA
Transcrição de entrevistas GABRIELA DIAS
Design publicação e cartaz ATELIER PEDRO FALCÃO
Comissariado e gestão JOANA FERREIRA e MANUELA JORGE
Administração Arena MARTA DELGADO MARTINS
Direção de Produção CAMILLA MORELLO
Assistência de Produção JOANA GOLDSCHMIDT, BEATRIZ CRUZ
Co-Produção ASSOCIAÇÃO AINDA NÃO TEM NOME com ARENA ENSEMBLE
Projeto financiado por REPÚBLICA PORTUGUESA - MINISTÉRIO DA CULTURA, JUVENTUDE E DESPORTO, DIREÇÃO-GERAL DAS ARTES, ESCOLA DAS ARTES do Porto e CENTRO DE CRIATIVIDADE DIGITAL (CCD)
Apoio CÂMARA MUNICIPAL DE GRÂNDOLA, ARQUIVO MUNICIPAL DE GRÂNDOLA, CASA DO POVO DE AZINHEIRA DOS BARROS, CENTRO DE CIÊNCIA VIVA DO LOUSAL, JUNTA DE FREGUESIA DE AZINHEIRA DOS BARROS E SÃO MAMEDE DE SÁDÃO
Agradecimento especial PAULA RODRIGUES
Agradecimentos ÁLVARO PINTO, CÉNICA SFX, DAVID BRITO, DIOGO REPOLHO - BRITAZUL, GONÇALO PERNAS - SOMINCOR MINA DE NEVES CORVO, LUÍS SOBRAL, MAFALDA ABRUNHOSA, MAGDA CANÁRIO, MARGARIDA OLIVEIRA, NÁDIA CAIXINHAS - CAFÉ SWEET MINA
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