ESTALEIROS - ENVC 2012
Marco Martins

Encenação

Marco Martins e Nuno Lopes

Com

Alberto Novo, António Barbosa, António José Rocha, António Marques, Fabíola de Sousa, Fernando Neto, Hugo Costa, João Peres, José Esteves, Martinho Cerqueira, Miguel Cerqueira, Olívia Ferreira, Pedro Oliveira, Samuel Gomes, Sebastião Almeida, Vítor Vieira; Grupo de Cantadeiras do Vale do Neiva, Rancho Folclórico de Vila Franca do Lima e Noiserv
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“Façamos alguma coisa, enquanto podemos! Não é todos os dias que chamam por nós. Ainda menos que chamem por nós pessoalmente. Outros dariam igualmente boa resposta, senão melhor. Eram dirigidos a toda a humanidade, aqueles pedidos de ajuda ainda ecoam nos nossos ouvidos! Mas neste momento e lugar no tempo, a humanidade somos nós, os presentes, quer queiramos quer não.”

Samuel Beckett, em À Espera de Godot


Desde a sua fundação em 1944, os estaleiros Navais de Viana do Castelo têm desempenhado um papel fundamental nesta região do país. Mais do que uma força económica, os estaleiros tornaram-se num símbolo da região e agente determinante na construção da sua identidade. Ali foram construídos ao longo dos anos mais de 200 navios para todos os armadores do mundo - batelões, rebocadores, ferryboats, navios de pesca - e por ali passaram gerações de avós, pais e filhos, que foram passando a arte de moldar o aço de geração para geração, como quem passa a sua maior herança cultural e identitária.


Agora estas pessoas são vítimas de um impasse político, consequência da crise económica vivida na Europa, das mudanças no mundo do trabalho e da perda de autonomia política de um país que que tenta reconfigurar o seu tecido industrial.


É aqui que, há mais de três anos, estes trabalhadores esperam e desesperam por uma definição clara do futuro desta empresa. Todos os dias eles vestem os seus fatos macacos, dirigem-se aos seus postos nas oficinas e esperam que chegue alguma encomenda de trabalho. Um rotina esvaziada de propósito- há três anos que não existem encomendas.

Julho de 2012



Foi neste contexto de impasse que Marco Martins, com a colaboração de Nuno Lopes, Tânia Carvalho e Noiserv, criou ao longo de seis meses “ESTALEIROS – ENVC 20102”, um espetáculo multidisciplinar interpretado pelos trabalhadores dos Estaleiros que cruza os seus testemunhos autobiográficos com textos de Samuel Beckett (“À Espera de Godot”) e Gonçalo M. Tavares (“Sr, Kraus”) .


Um espetáculo sustentado num dispositivo dramatúrgico que convoca no mesmo espaço cénico a riqueza cultural das formas de arte tradicionais da região de Viana do Castelo e a linguagem multifacetada do encenador centrada na natureza do trabalho de construção naval. Nesse sentido, foram convocadas os cantares tradicionais do Minho (as cantadeiras do Vale do Neiva) e os grupos folclóricos locais (coreografados e reinterpretados por Tânia Carvalho), bem como os pescadores que, com os seus barcos ornamentados, participam na procissão da Senhora da Agonia.


Um espetáculo de grande dimensão cénica (ao todo são mais de 50 intérpretes em palco) apresentado num espaço público (o enorme terreiro que circunda o espaço das oficinas dos estaleiros) que convoca várias formas artísticas, tradicionais e contemporâneas, num objecto híbrido que nos propõe uma reflexão sobre a arte e a natureza identitária do trabalho.


Ficha técnica

de Marco Martins

a partir de textos de “Waiting for Godot” e “Breath” de Samuel Beckett; “O Senhor Kraus“ e “O Senhor Calvino”, de Gonçalo M. Tavares

encenação e dramaturgia Marco Martins e Nuno Lopes

direção artística Renzo Barsotti (Festival do Norte) Centro de Criação para o Teatro e Artes de Rua

com (trabalhadores ENVC) Alberto Novo, António Barbosa, António José Rocha, António Marques, Fabíola de Sousa, Fernando Neto, Hugo Costa, João Peres, José Esteves, Martinho Cerqueira, Miguel Cerqueira, Olívia Ferreira, Pedro Oliveira, Samuel Gomes, Sebastião Almeida, Vítor Vieira; Grupo de Cantadeiras do Vale do Neiva, Rancho Folclórico de Vila Franca do Lima e Noiserv


colaboração coreográfica Tânia Carvalho

música Noiserv

vídeo Marco Martins e Nuno Lopes

direcção de fotografia (vídeo) Miguel Manso

montagem (vídeo) Mariana Gaivão

cenografia Artur Pinheiro

figurino Isabel Carmona

desenho de luz Nuno Meira

sonoplastia Sérgio Milhano

fotografia Marco Martins


produção Alberto Castelo (Festival do Norte)

produção executiva Alaíde Costa (Centro de Criação para o Teatro e Artes de Rua)

direcção de produção Narcisa Costa (Arena Ensemble)

investigação e monitorização Catarina Laranjeiro, Maria Lencastre

administração Arena Ensemble Marta Delgado Martins

co-produção Festival do Norte, Centro de Criação para o Teatro e Artes de Rua, Arena Ensemble


classificação etária M/6

estreia 27 de Julho de 2012, Viana do Castelo


agradecimentos Administração dos ENVC, AISCA, Ao Norte, Capitania do Porto de Viana do Castelo, Comissão de Trabalhadores dos ENVC, Escola Secundária de Monserrate, Grupo Desportivo e Cultural dos Trabalhadores dos ENVC, Núcleo Promotor do Auto da Floripes

apoios Estaleiros Navais de Viana do Castelo, Hotel Axis Viana Bussiness & Spa, Hotel do Parque


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